Com apoio do GT 23, LesboCenso Nacional realiza pesquisa de perfil sociodemográfico

Está em andamento no Brasil o LesboCenso Nacional, organizado pela Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) e pelo grupo Coturno de Vênus. O GT 23 da ANPEd (Gênero, Sexualidade e Educação) apoia a iniciativa inédita no país, tendo como coordenadora de pesquisa a associada Dayana Brunetto, professora do PPGEd da UFPR - confira entrevista a seguir.

Todas as informações e o formulário para resposta estão em https://lesbocenso.com.br/

O formulário pretende coletar informações sobre autoidentificação, trabalho, educação, saúde, relacionamentos, relações familiares e redes de apoio que as lésbicas e sapatão possuem nas diversas regiões do país. A iniciativa busca alterar o cenário de subnotificações de crimes, violação de direitos e da falta de políticas públicas específicas para lésbicas e sapatão.

A lesbofobia ocupa a segunda posição em registros de violências. Nem o censo do IBGE, nem a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua perguntam a orientação sexual ou a identidade de gênero das pessoas. Existe assim um apagamento histórico sobre questões relacionadas à saúde de lésbicas e sapatão.

Entrevista com Dayana Brunetto (UFPR | GT 23 ANPEd)

Tendo em vista a pesquisa em Educação realizada no âmbito do GT 23, qual a importância de uma iniciativa como essa?

A pesquisa acadêmica-ativista I LesboCenso Nacional contribui de forma significativa para os Estudos de Gênero e Feministas relacionados à Educação, campo de discussão do GT 23 da ANPEd. Esse estudo preenche um vácuo de dados em relação à população de lésbicas e sapatão do Brasil, considerando que pelo Censo do IBGE, a pessoa só pode declarar sua orientação sexual se estiver em união estável ou casada com a responsável pelo domicílio. Isso exclui dados de lésbicas e sapatão que moram sozinhas ou com parentes, por exemplo. A partir dos dados do LesboCenso Nacional, portanto, será possível traçar uma mapa sociodemográfico mais próximo da realidade dessa população no Brasil. É uma pesquisa inédita no mundo e pioneira, contribui também para o campo dos estudos lésbicos feministas que, assim como ocorre nos movimentos sociais organizados em relação a esta população, seguem invisibilizados. Em fase quantitativa, apresenta um formulário que traz um eixo específico de educação. Importante destacar que a utilização do termo sapatão na pesquisa, antes utilizado como xingamento, representa um posicionamento ético-político e epistemológico que reconhece e valoriza a ressignificação do termo pelos próprios movimentos sociais nacionais de lésbicas feministas. Além disso, o termo lésbica, utilizado amplamente como forma de patologizar e discriminar esses corpos, práticas e experiências, foi trazido também devido ao  reconhecimento de sua ressignificação pelos movimentos sociais de lésbicas feministas do período de redemocratização do Brasil, pós-ditadura militar de 1964. Desta forma, o I LesboCenso Nacional é de extrema relevância para as pesquisas realizadas pelo GT 23, pois dialoga diretamente com o apagamento das lesbianidades nas pesquisas em educação.

Sobre a Dayana Brunetto

Pós-doutora em Educação pela UFPR (2021), com a pesquisa analítica intitulada Narrativa sapatão em disputa: identidade e atitude sapatão. Doutora em Educação – PPGE – Universidade Federal do Paraná – UFPR, com pesquisa sobre a constituição das Docências Trans* (2017). Graduada em Pedagogia – UNINTER (2018). Mestra em Educação PPGE UFPR, com pesquisa que fabricou uma cartografia das experiências trans e a escola (2010). Pós-graduada em Ciências – Biologia, com área de concentração de estudos sobre Sexualidade (1999). Licenciada em Ciências – Habilitação plena em Biologia – Faculdades Reunidas de Admin. Ciências Contábeis e Econômicas de Palmas (1998). Professora de Didática do Departamento de Teoria e Prática de Ensino – DTPEn UFPR. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPR – PPGE. Coordenadora do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual – NGDS, da Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade – SIPAD – UFPR. Pesquisadora do Laboratório de Investigação em Corpo, Gênero e Subjetividades na Educação (LABIN/UFPR). Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero (NEG/UFPR). Ativista da Liga Brasileira de Lésbicas – LBL. Pesquisadora da Rede Nacional de Ativistas e Pesquisadoras Lésbicas e Bissexuais – Rede LésBi Brasil. Parecerista ad hoc e pesquisadora do Comitê Científico do GT 23 – Gênero, Sexualidade e Educação da ANPEd – Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação.

 

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